Saiba algumas dificuldades que ocorrem durante a amamentação

Nenhuma mãe nasce sabendo como cuidar de um bebê, ainda mais como amamentar corretamente. Mães de primeira viagem, em especial, aprendem e se adaptam, por meio da experiência prática, às formas mais adequadas de alimentar seu filho sem causar problemas à saúde de ambos.

Complicações comuns no período de lactação, como leite empedrado, traumas nos mamilos (papila) e infecções têm origem em situações que provocam um esvaziamento mamário inadequado.

Técnicas impróprias para a amamentação, mamadas insuficientes ou o uso de complementos alimentares são alguns dos principais fatores que colaboram para o aparecimento de dificuldades no processo de aleitamento materno. O manejo adequado é essencial, do contrário, a consequência pode ser o desmame precoce, afetando diretamente a nutrição do bebê.

Uma das melhores formas de evitar tais problemas é simples: informar-se. Listamos aqui algumas das situações mais comuns que ocorrem durante a amamentação e como identificá-las. No caso de qualquer sensação incômoda no seu corpo, ou de seu bebê, procure imediatamente um médico.


O que fazer em caso de leite empedrado


O ingurgitamento mamário, conhecido também como “leite empedrado”, ocorre pela falta de esvaziamento adequado das mamas. É importante amamentar nas duas mamas e após a mamada palpar as mamas e esvaziar se houver excesso de leite.

O leite pode estar mais espesso, principalmente se a mamãe não estiver bem hidratada. É importante que as mamas sejam esvaziadas completamente para evitar a inflamação, dor e até infecção (mastite) das mesmas.

Essa situação é mais frequente nas primeiras semanas após o parto, quando a mulher está se adaptando à amamentação, mas também pode acontecer no desmame da criança, durante a transição para mamadeira.

Geralmente está associado ao início tardio da amamentação, poucas mamadas, restrição da duração e frequência das mamadas, uso de suplementos lácteos e sucção ineficaz do bebê.

Iniciar o aleitamento o mais rápido possível, tomar muito líquido, amamentar sempre que o bebê quiser ou, no máximo, a cada três horas, manter as mamas elevadas com sutiã apropriado para manter os ductos mamários retificados para favorecer o esvaziamento são medidas para prevenir o ingurgitamento mamário.


Mamilos doloridos

Um dos incômodos mais comuns durante o aleitamento, especialmente logo depois do nascimento da criança, é a dor nos mamilos. Os traumas mamilares podem provocar inflamação e dor localizada, e incluir eritema (vermelhidão), edema (inchaço) e fissuras (ferimentos).

O posicionamento inadequado ou a forma como seu bebê pega os seios são as causas mais frequentes, também podendo ocorrer por disfunções orais da criança, uso impróprio de bombas de extração de leite, ou tirar o bebê do peito antes de terminar a sucção.


Mamilos rachados

Quando o bebê suga as mamas de maneira errada, cresce a probabilidade de isso provocar lesões nos seios. Além de doloridos, os mamilos ficam com fissuras, podendo até mesmo sangrar. Para se prevenir, é importante revezar os seios entre cada amamentação e ensinar o bebê a mamar de maneira correta, abocanhando o mamilo (papila) e grande parte da aréola.


Mastite

O engurgitamento mamário (mama empedrada) causa uma inflamação que pode evoluir para uma mastite, infecção da mama causada normalmente por bactérias, especialmente pelo Staphilococcus aureus. Os sintomas de dor e inchaço do engurgitamento se tornam mais intensos, podendo surgir febre, dor de cabeça e uma vermelhidão na mama. Nos casos graves pode aparecer um abcesso com secreção purulenta.

Com maior incidência em mulheres na fase de amamentação, principalmente nos três primeiros meses após o nascimento do bebê, essa inflamação pode ser provocada pela obstrução dos ductos por onde passa o leite, e a infecção pela entrada de bactérias na boca do bebê.

Mulheres que já tiveram mastite são mais suscetíveis a ter novamente, em função do rompimento da integridade das glândulas alveolares. Algumas situações que favorecem a mastite são o cansaço, o estresse e principalmente a forma com que o bebê pega na mama, porque isso pode causar fissuras nos mamilos.

Para evitar as fissuras nos seios, alguns cuidados podem ser tomados ainda durante a gravidez. Aprenda:

  • Estimule o bico do seio, principalmente se o mamilo for diagnosticado plano ou invertido, fazendo massagens e prendendo-o entre o polegar e o dedo indicativo com leves movimentos de rotação para a esquerda e direita.
  • Para ajudar o mamilo e as auréolas a ficarem mais resistentes e, com isso, diminuir a chance de rachaduras, tome banho de sol com frequência durante a gestação, sempre usando protetor solar antes das 10h e após às 16h, durante 15 minutos. Evite usar loções hidratantes na auréola e mamilos, aplicando somente nas mamas, já que esse produto deixa a pele mais fina e mais suscetível a rachaduras.
  • O uso de buchas vegetais para uma esfoliação leve do mamilo e auréola deve ser feito quando recomendado pelo médico para fortalecer a região.

FONTES

Elsa R. J. Giugliani. (2004). Problemas comuns na lactação e seu manejo. Disponível em: http://www.ibfan.org.br/documentos/outras/nov%202004%20giugliane.pdf [Acessado em 4 Nov. 2019]

Beatriz Beltrame. (2019). Como solucionar 6 problemas comuns da amamentação. Disponível em: https://www.tuasaude.com/como-solucionar-problemas-comuns-da-amamentacao [Acessado em 4 de Nov. 2019]

4 problemas comuns da amamentação: saiba como resolvê-los. Disponível em: https://www.mustela.com.br/mustela-blog/4-problemas-comuns-da-amamentacao-saiba-como-resolve-los [Acessado em 4 de Nov. 2019]

Livingstone VH, Willis CE, Berkowitz J. (1996). Staphylococcus aureus and sore nipples. Disponível em: https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8653033 [Acessado em 4 de Nov. 2019]

Destinado ao público em geral

Janeiro de 2020

BRZ2122005-2

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