Depressão: uma inimiga silenciosa

Tristeza profunda associada a sentimentos de dor, amargura, desencanto, baixa autoestima e culpa, somados a alterações do sono e apetite. Esses são só alguns dos sintomas de quem sofre com a depressão, distúrbio psíquico comum e que pode chegar a ser incapacitante. Os números que envolvem as doenças psicológicas são cada vez mais preocupantes. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o transtorno já atinge 5% da população mundial, o que equivale a cerca de 350 milhões de pessoas. O que preocupa também é o fato de que, para cada homem com depressão, duas mulheres sofrem com a doença – ainda por motivos não completamente esclarecidos e manifestada de formas diferentes entres os sexos.

Para buscar o melhor tratamento, é preciso reconhecer os estigmas relacionados ao gênero. Muitos estudiosos afirmam que boa parte dessa diferença ocorre pelo fato delas procurarem mais ajuda profissional e, com isso, haver mais diagnósticos femininos. Mesmo assim, existem outros fatores que podem contribuir com o aumento do número de mulheres que sofrem com a doença.


Causas possíveis

As causas exatas para a depressão em mulheres ainda não são conhecidas, mas alguns fatores de risco estão associados com o desenvolvimento do distúrbio, entre os quais podemos destacar a genética, alterações hormonais, estresse físico e psicológico, efeitos adversos de medicamentos, doenças da tireoide, por exemplo. Alguns eventos podem presentes na vida das mulheres podem aumentar as chances de se desenvolver depressão:


Gravidez e pós-parto

Alguns eventos durante a gestação ou no período pós-parto, como as mudanças no corpo, baixo apoio emocional, medo, insegurança e a solidão podem causar alterações psíquicas e mudança do humor, porta de entrada para os sintomas depressivos.

Felizmente, a maioria dos casos não são graves, são os chamados “blues puerperal”, que causam tristeza transitória, choro fácil, mudança de humor, irritação, ansiedade, alteração do apetite, e têm rápida reversão com apoio familiar e assistência médica.

A depressão pós-parto afeta entre 10 a 15% das mães até seis meses após o nascimento do bebê. A causa não é conhecida, mas a queda na produção de estrogênio e progesterona tem um forte impacto no desenvolvimento da patologia. Caso os sintomas persistam, a mulher deve ser acompanhada e tratada pelo médico. A família pode ter um papel importante em reconhecer os sintomas e buscar a ajuda profissional o quanto antes. 


Menopausa


Durante esse período da vida da mulher, o risco de desenvolver depressão é considerado duas vezes maior. A alteração dos hormônios femininos pode afetar a produção de neurotransmissores que estão ligados à depressão.


Período menstrual

Com as bruscas oscilações hormonais, as mulheres tornam-se mais vulneráveis aos transtornos de humor, podendo ocorrer alterações do humor, irritabilidade e sintomas depressivos, sintomas emocionais característicos da TPM (tensão pré-menstrual).


Sintomas

Os sinais podem variar muito, assim como ter algum sintoma não significa que, necessariamente, a mulher esteja sofrendo com depressão. Mas se eles persistirem por semanas ou até meses, é preciso procurar ajuda médica para realizar o diagnóstico preciso e definir o melhor tratamento. Entre os sinais e sintomas da depressão em mulheres, os mais frequentes são:

  • Tristeza persistente e sensação de desamparo;
  • Pensamentos negativos sobre si mesma;
  • Alteração de peso (perda ou ganho de peso não intencional);
  • Fadiga ou perda de energia constante;
  • Baixa autoestima;
  • Variações de humor;
  • Perda de interesse em atividades;
  • Alterações no apetite;
  • Distúrbio de sono (insônia ou sonolência excessiva);
  • Dificuldades de concentração e memorização;
  • Alteração da libido.

É importante lembrar que tais sintomas podem se refletir de maneira diferente em mulheres mais jovens, onde esses sinais podem causar problemas no desempenho escolar e até distúrbios alimentares, por exemplo, enquanto nas com mais idade podem existir mais sintomas físicos, como dores de cabeça, pelo corpo e problemas digestivos.

É imprescindível saber distinguir a tristeza patológica daquela transitória provocada por acontecimentos difíceis e desagradáveis, mas que são inerentes à vida de todas pessoas, como a morte de um ente querido ou o término de um relacionamento, por exemplo. A tristeza das adversidades, hora ou outra, acaba sendo superada, enquanto nos quadros depressivos, a tristeza não tem fim, o que faz com que a pessoa acabe perdendo o interesse pelas atividades que antes davam satisfação e prazer, não tendo perspectivas de que algo possa ser feito para que seu quadro melhore. Lembrando que nem toda depressão é igual e os quadros variam de intensidade e duração, e podem ser classificados em graus leves, moderados e graves.


Qual o melhor tratamento

A escolha de tratamento contra a depressão é individual e o médico levará em conta fatores como a frequência ou a intensidade dos sintomas. Existem diversas formas de tratamento para a depressão.

Quadros leves costumam responder bem ao tratamento psicoterápico. Casos mais graves e com reflexo negativo sobre a vida afetiva, familiar e profissional e em sociedade, exigem o uso de antidepressivos e um acompanhamento médico e psicoterápico. As formas mais utilizadas de tratamentos são:


Tratamento com medicamentos

Existem medicamentos para o tratamento da depressão em diferentes estágios, que atuam nos neurotransmissores do cérebro, auxiliando o sistema nervoso central a restabelecer o equilíbrio químico normal, e receitados apenas por um psiquiatra.

Apesar do estigma que permeia esses medicamentos psicoativos, por serem de uso controlado por receituário, eles são eficazes e seguros. Alguns demoram para provocar o efeito desejado e produzem efeitos colaterais, mas a prescrição deve ser mantida, reavaliada periodicamente pelo médico, para reduzir o risco de recaída. Em alguns casos, é necessária a associação com outras classes de medicamentos, como os ansiolíticos e estabilizadores do humor, por exemplo, para se obter o efeito desejado.

É importante salientar que, mesmo seja indicado por alguém que já tenha passado por um problema semelhante, o paciente depressivo nunca deve se automedicar, e o médico é o profissional que poderá orientar da melhor forma quando e como o tratamento com medicamentos deve ser indicado.


Psicoterapia

O acompanhamento psicológico com um psiquiatra ou psicólogo pode ocorrer de diferentes formas, com atendimento individual ou em grupos de apoio. O período de tratamento também é variável e pode levar algumas sessões ou até mesmo anos de psicoterapia para conseguir lidar com os sintomas do quadro depressivo. Alguns exemplos de abordagens baseadas em evidências específicas para o tratamento da depressão incluem terapia cognitivo-comportamental, terapia interpessoal e terapia de resolução de problemas.


FONTES

BRUNA, Maria Helena Varella. Depressão. Disponível em: https://drauziovarella.uol.com.br/doencas-e-sintomas/depressao/ [Acessado em 14 Nov 2019]

World Health Organization. Gender and women’s mental health. Disponível em: https://www.who.int/mental_health/prevention/genderwomen/en/ [Acessado em 14 Nov 2019]

Depressão e gênero: por que as mulheres deprimem mais que os homens? Disponível em: http://pepsic.bvsalud.org/pdf/tp/v7n2/v7n2a05.pdf  [Acessado em 14 Nov 2019]

PIMENTA, Tatiana. Sintomas de depressão: 13 sinais que você precisa conhecer. Disponível em: https://www.vittude.com/blog/13-sintomas-de-depressao/ [Acessado em 14 Nov 2019]

Destinado ao público em geral

Janeiro de 2020

BRZ2123215

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