Métodos contraceptivos: para que servem e quais os tipos?

As ciências médica e farmacêutica estão em constante evolução, regularmente viabilizando novos tratamentos e métodos preventivos para os mais diversos problemas de saúde, além de ajudar a estabelecer políticas públicas para sanar dificuldades sociais e econômicas nos mais diferentes níveis da sociedade.


Duas das maiores preocupações do mundo moderno, que afetam especialmente o sexo feminino, é o planejamento familiar e o controle de natalidade.


Existe hoje uma série de meios de contracepção disponíveis para as mulheres se protegerem contra doenças sexualmente transmissíveis (DSTs) e evitarem uma gravidez não planejada.
Vamos listar aqui as opções mais conhecidas e acessíveis, incluindo métodos contraceptivos com ou sem hormônios, de longa ou curta duração.

Independentemente da forma que você escolher, tenha em mente que um médico deve ser sempre consultado, pois cada pessoa é um indivíduo com
características próprias, que devem ser consideradas na hora de definir o
método mais adequado, reduzindo assim o risco de complicações.

Tipos de métodos contraceptivos



Anticoncepcionais orais
A pílula: como ela age no organismo?

A famosa pílula para contracepção, que completa 60 anos em 2020, é um medicamento que contém uma combinação de hormônios femininos, inibidores da ovulação e que deve ser tomado uma vez ao dia.

A pílula combinada contém estrogênio e progestagênio, componentes que controlam o ciclo e bloqueiam a liberação dos óvulos pelos ovários (ovulação), modificam o revestimento interno (endométrio) do útero, além de tornar o muco cervical (colo do útero) espesso, impedindo que os espermatozóides entrem no útero. O uso com pausa ao final da cartela permite a regularidade do sangramento mensal.

Outro tipo de pílula hormonal pode conter apenas o progestagênio, sendo uma alternativa eficaz para a contracepção de mulheres em que o uso do estrogênio é contraindicado.

O comprimido deve ser ingerido no mesmo horário, todos os dias, sem pausa, independentemente se você teve ou não relações sexuais.

Como é um medicamento, deve ser prescrito por um médico, que avaliará o seu histórico clínico e definirá se este método é o mais adequado para o seu organismo.

Seguindo todas as instruções médicas, sem esquecer de tomar nenhuma pílula, a eficácia desse método anticoncepcional é de mais de 99%.



Contraceptivo de emergência

Conhecidos também como “pílula do dia seguinte”, os contraceptivos de emergência têm como objetivo evitar a gravidez após uma relação sexual sem proteção.

Deve ser usado quando algo saiu diferente do planejado: rompimento ou problemas com o uso do preservativo, esquecimento da pílula ou falha presumida de um método de contracepção.

A pílula emergencial tem em sua composição apenas progestagênios semelhantes aos utilizados nos contraceptivos orais normais, mas com doses muito maiores.

O medicamento age impedindo a liberação de óvulos (ovulação) pelos ovários, podendo também alterar o revestimento interno do útero (endométrio), impedindo a implantação do óvulo fecundado.

Para otimizar a eficácia, a pílula deve ser tomada o mais rápido possível, após o ato sexual, sendo o tempo ideal até 12 horas depois, em que a eficácia chega a 95%.


Se for tomada depois de 24 horas, a eficácia cai para 85%, cerca de 55% em 48 horas, apesar de poder ser utilizada até 72 horas após a relação desprotegida.


Depois de usar o contraceptivo de emergência, deve-se manter outro método anticoncepcional até o fim do ciclo menstrual para manter a proteção, caso não deseje engravidar.



Contracepção Reversível de Longa Duração

Considerados como alguns dos melhores métodos contraceptivos por sua alta eficácia, eles atuam por períodos de tempo prolongados na proteção da mulher.


Como não dependem da usuária, estes métodos têm maiores taxas de eficácia.


O dispositivo intrauterino (DIU), o implante contraceptivo e o sistema intrauterino (SIU), também chamado de DIU Hormonal, têm efeito por 3, 5 ou 10 anos, dependendo do método.


Reversíveis, o efeito contraceptivo termina assim que se interrompe o uso, devolvendo a possibilidade de gravidez tão rápido quanto mulheres que não utilizaram nenhum anticoncepcional.



Dispositivo Intrauterino – DIU

Pequeno dispositivo flexível colocado pelo médico dentro do útero, o DIU tem o formato de T com braços abertos ou curvados para baixo, um fio de cobre enrolado na base e em alguns modelos também nos “braços” do T.

Um fio de plástico longo fica preso ao DIU e uma pequena parte dele fica fora do colo do útero para o médico removê-lo com facilidade.

Sua atuação se dá por meio da liberação de íons de cobre que imobilizam os espermatozóides e dificultam a sua mobilidade, mas não impedem os ovários de liberarem o óvulo (ovulação).

Na rara possibilidade de um espermatozoide ultrapassar a barreira e fecundar o óvulo, o cobre impede a implantação do embrião no útero.

Com duração de até dez anos, dependendo do tipo, o DIU pode ser removido a qualquer momento, preferentemente, quando o colo do útero estiver aberto devido à menstruação.

A colocação do DIU é rápida, levando apenas alguns minutos, e deve ser feita por um médico. Sua remoção também é ágil e não costuma causar grande desconforto. Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), a eficácia do DIU de cobre chega a 99,4%.



Sistema Intrauterino – SIU

Semelhante ao DIU de cobre, um dispositivo pequeno em forma de T, o sistema intrauterino (SIU) é também conhecido como DIU Hormonal, já que conta com o hormônio progestagênio em sua composição.

O SIU atua liberando continuamente uma dose baixa do hormônio e deve ser colocado no útero por um ginecologista.

Com seu efeito, o revestimento interno do útero (endométrio) fica mais fino e o muco do colo uterino se torna espesso, dificultando o acesso do espermatozoide.

Com 99,8% de eficácia, é indicado para mulheres que precisam garantir sua proteção contra a gravidez, mas não querem, não podem ou esquecem de tomar a pílula diariamente.E para aquelas que têm sangramentos menstruais intensos.

Uma consulta com seu ginecologista verificar é fundamental para você saber se esse método é adequado para você.

Garantida a compatibilidade do método preventivo, você fica protegida por até 5 anos, podendo ser removido a qualquer momento.



Implante

Diferente dos outros métodos de longa duração, o implante anticoncepcional é introduzido embaixo da pele por meio de um aplicador descartável.

Uma cápsula pequena, do tamanho que um palito de fósforo, é inserida na parte superior do braço, onde libera continuamente o hormônio progestagênio em pequenas doses na corrente sanguínea.

Tal hormônio atua nos ovários, impedindo-os de liberarem óvulos (ovulação), além de alterar a secreção de muco pelo colo do útero e dificultar a entrada de espermatozoides.

Ao longo do tempo, o implante vai provocar amenorreia (falta menstruação) e pode ser indicado também para mulheres que não podem ou não querem menstruar.

A inserção do implante deve ser realizada por um médico e deve ocorrer entre os primeiros cinco dias do ciclo menstrual.

Assim como os métodos citados anteriormente, o implante é extremamente eficaz, com taxas de falha de 0,05% na prevenção da gravidez, podendo durar por até três anos.

Caso a mulher deseje engravidar, basta solicitar a remoção, que é simples e rápida e o retorno da fertilidade ocorre em pouco tempo.



Injeção Anticoncepcional

A prevenção com este método se dá por meio de uma fórmula injetável que contém progestagênio isolado ou a combinação deste hormônio com estrogênio, que impede o corpo de liberar óvulos, alterando o revestimento interno (endométrio) do útero, o que torna espesso o muco no colo uterino.

A injeção é preferencialmente aplicada na região dos glúteos, podendo ter periodicidade mensal (combinação estrogênio e progestagênio) ou trimestral (apenas progestagênio).

Uma desvantagem na trimestral é a demora para regulação do ciclo e da fertilidade, já que o efeito não pode ser interrompido como nos outros métodos.

Com apenas 0,1% a 0,6% de chances de falha para a injeção mensal e de 0,2%, para a injeção trimestral, é um dos métodos contraceptivos mais eficazes, comparável à eficácia da ligadura de trompas.

A injeção deve ser receitada por um médico ginecologista e sua aplicação pode ser realizada em farmácia com receita.



Anel Vaginal


Simples e prático, o anel vaginal, feito de polietileno, libera aos poucos progesterona e estrogênio na corrente sanguínea para evitar que os ovários liberem óvulos, além de tornar o muco cervical espesso, o que impede o esperma de chegar até o óvulo.

Semelhante a uma pulseira elástica, ele é usado na vagina por três semanas, depois deve ser retirado, feita uma pausa de uma semana e então inserido um novo anel.

A taxa de prevenção de gravidez é de 99,7%, tão eficaz quanto as pílulas anticoncepcionais mais modernas, mas com doses mais baixas de hormônios.

O anel não causa desconforto nem interfere nas relações sexuais e o retorno da fertilidade se dá assim que o uso é suspenso.



Adesivo Anticoncepcional


Feito de material aderente, o adesivo anticoncepcional é colocado na pele, limpa e seca, devendo permanecer na mesma posição por uma semana.

Nesse período, a fórmula, que combina os hormônios progestagênio e estrogênio, é liberada no sistema circulatório de forma contínua por sete dias, resultando em um efeito anticoncepcional tão eficaz quanto o da pílula.

Assim como outros métodos contraceptivos, ele impede a ovulação, altera o revestimento interno do útero (endométrio) e espessa o muco cervical, dificultando a passagem dos espermatozoides.

O ideal é colocar o adesivo em uma parte do corpo que tenha pouco atrito com suas roupas, senão ele pode desgrudar em seguida. Também é indicado variar o local de cada adesivo para evitar possíveis irritações na pele.

Os adesivos geralmente vêm em três unidades para serem usados de forma consecutiva. Após as três semanas de uso, é necessário fazer uma semana de pausa.

Da mesma forma que outros procedimentos hormonais, é indicado consultar um médico para iniciar o seu uso e ter as orientações mais adequadas ao seu corpo e estilo de vida.


Métodos contraceptivos não hormonais


Camisinha feminina

Lançada no Brasil no final da década de 90, a camisinha feminina é um método contraceptivo de barreira, capaz de prevenir também a contaminação por doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), como a AIDS e o vírus HPV.

Com material a base de borracha nitrílica ou poliuretano, bloqueia o acesso dos espermatozoides ao útero, prevenindo a gravidez.

A camisinha feminina tem o formato de tubo, com uma extremidade fechada e a outra aberta, acoplado a dois anéis flexíveis.

O lado fechado é introduzido próximo ao colo do útero, enquanto o outro fica disposto fora da vagina. Lubrificada, não gera desconforto, desde que seja manuseada corretamente.

Sem contraindicações, é um dos métodos contraceptivos mais eficazes, com taxas de 90% a 95% de eficácia na prevenção de DSTs e gravidez.

Outra vantagem é poder ser utilizada durante a menstruação, protegendo ainda mais a mulher, além da possibilidade de ser introduzida até oito horas antes da relação sexual.

É contraindicado que se use a camisinha feminina combinada com a masculina, pois o atrito entre os dois preservativos pode romper um deles, ou ambos.

Assim como a camisinha masculina, a feminina deve ser descartada após o uso, não devendo ser reutilizada.


Diafragma

O diafragma é uma cúpula rasa feita de material flexível, como silicone ou látex, que cobre o colo do útero, bloqueando a entrada dos espermatozoides e evitando a fecundação.

Como existem diferentes modelos e tamanhos, você precisa consultar o seu ginecologista para saber as dimensões mais adequadas, o que também deve ser feito no caso de alterações de peso, pois talvez seja necessário atualizar o tamanho.

O uso, apesar de parecer incômodo, não causa desconforto: lave as mãos, encha o diafragma de espermicida e espalhe um pouco também ao redor das bordas. Então, como se fosse colocar um absorvente interno, dobre o diafragma no meio e empurre-o para dentro e para cima da vagina, até cobrir o colo uterino.

Para haver o funcionamento correto, você deve colocá-lo cerca de 15 a 30 minutos antes da relação, retirando-o 12 horas após o ato sexual, tempo necessário para garantir que os espermatozoides residuais estejam mortos.

Também evite usá-lo por mais de 24 horas no total e verifique rotineiramente se o diafragma apresenta algum tipo de desgaste, substituindo se necessário.

O acessório tem uma taxa de falha de 6% a 20%, por isso é altamente recomendado combinar seu uso com espermicida para reduzir os riscos de gravidez.


Métodos comportamentais


Tabelinha

Também conhecida como método rítmico, a tabelinha funciona por meio do calendário mensal, onde é calculado o início e fim do período fértil, quando a mulher estará mais apta a engravidar caso tenha relações sexuais sem proteção.


Essa técnica funciona de maneira mais efetiva para mulheres com ciclos regulares. A fertilidade geralmente ocorre no meio do ciclo menstrual, quando acontece a ovulação.

Para ter precisão sobre seu ciclo, o ideal é, durante seis meses, anotar o dia do início de cada menstruação. Ao final, você deve contar o intervalo de dias entre o início de duas menstruações consecutivas. Estes correspondem ao seu ciclo menstrual.

Como a grande maioria dos ciclos variam entre 28 e 31 dias, do 14º ao 17º dia são os dias mais férteis. Assim, para evitar a gravidez, você e seu parceiro não devem ter relações sexuais nestes dias.

Lembre-se que mesmo seguindo essa lógica, o método não é preciso, sendo bem mais arriscado que outros meios anticoncepcionais.


Coito interrompido

Um dos métodos contraceptivos mais antigos que existem, o coito interrompido é feito quando, numa relação sexual, o homem pressente a ejaculação, retira o pênis e ejacula fora da vagina para que não ocorra a deposição de sêmen.

Como a ejaculação pode ser difícil de ser controlada, esse método não é confiável. Outro fato que o torna arriscado é que antes da ejaculação é liberada secreção da próstata e vesícula seminal. Essa secreção pode conter espermatozoides vivos que podem fecundar um óvulo.


Esterilização – Laqueadura

Conhecida também como ligadura tubária ou de trompas, este procedimento não se trata de um método contraceptivo, mas de uma cirurgia irreversível de esterilização da mulher.

Realizada pelo médico ginecologista, a laqueadura é um procedimento simples, em que as tubas uterinas são seccionadas ou obstruídas, impedindo totalmente o processo de fecundação.

Pode ser realizado por via abdominal e vaginal. No abdominal, há duas abordagens que são utilizadas frequentemente: minilaparotomia ou videolaparoscopia.

A primeira envolve a realização de uma pequena incisão no abdômen, as trompas de falópio então são trazidas até a superfície para serem cortadas ou bloqueadas.

A segunda se dá por meio da introdução de uma minicâmera de vídeo no abdômen por meio de um pequeno corte. Com este procedimento, o cirurgião pode observar e bloquear ou cortar as trompas uterinas.

Por via vaginal, existem dois tipos de procedimentos: a colpotomia e a histeroscopia.

A colpotomia é procedimento pouco invasivo, realizado através de um corte pequeno pelo fundo-de-saco posterior da vagina, localizado atrás do colo do útero e por onde as trompas conseguem ser alcançadas pelo cirurgião.

Na histeroscopia, é inserido no útero, por via vaginal, um pequeno aparelho com um tubo ótico na extremidade, o histeroscópio. O procedimento é livre de cortes e não precisa ser realizado em centro cirúrgico, além de não deixar cicatriz.

Apesar de raro, a ligadura pode falhar e a mulher engravidar, mas as chances de ocorrer são pequenas, de 0,1 a 0,3 em 100 mulheres por ano.


FONTES

Blog da Saúde, Ministério da Saúde. Conheça mais sobre os métodos contraceptivos distribuídos gratuitamente no SUS – parte I. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/geral/35440-conheca-mais-sobre-os-metodos-contraceptivos-distribuidos-gratuitamente-no-sus-parte-i [Acessado em 7 Jan. 2020]

CZEZACKI, Aline. (2016) Blog da Saúde, Ministério da Saúde. Conheça os métodos contraceptivos oferecidos pelo SUS. Disponível em: http://www.blog.saude.gov.br/index.php/mat%C3%A9rias-especiais/51645-saiba-mais-sobre-os-metodos-contraceptivos-oferecidos-pelo-sus [Acessado em 7 Jan. 2020]

PODGAEC, Sergio. (2017) Hospital Albert Einstein, Notícias de Saúde. Métodos contraceptivos: Você conhece todas as suas opções? Disponível em: https://www.einstein.br/noticias/noticia/metodos-contraceptivos [Acessado em 7 Jan. 2020]

BARRETO, Jailde. (2018) Hospital Unimed. Conheça os métodos contraceptivos e a diferença entre cada um deles. Disponível em: https://www.unimed.coop.br/viver-bem/saude-em-pauta/metodos-contraceptiv-1 [Acessado em 7 Jan. 2020]

Destinado ao público em geral
Fevereiro de 2020
BRZ2126063-3

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