Conheça a diferença entre lubrificante e hidratante vaginal

A vagina normal tem um revestimento espesso, umidade e leve acidez. O hormônio estrogênio é o responsável pela manutenção do revestimento vaginal. A vagina apresenta uma microflora (bactérias) equilibrada, com destaque aos lactobacilos que transformam o glicogênio (tipo de açúcar) das células em ácido láctico, mantendo uma leve acidez. A queda no sangue dos níveis de estrogênio pode provocar redução da espessura vaginal e da umidade natural, o que causa aumento das queixas relacionadas a atrofia e ressecamento vaginal. É aí que entram em cena produtos como o hidratante vaginal e o lubrificante. Mas será que os dois agem da mesma forma no combate desta situação?


Por que hidratar a vagina?

O hormônio feminino (estrogênio) é responsável pela manutenção do revestimento vaginal. O ressecamento vaginal ocorre pela redução do hormônio estrogênio e pode acontecer em mulheres de qualquer idade, mas é mais comum no climatério e na menopausa,  no pós-parto quando a mulher amamenta o bebê exclusivamente no peito, com o uso prolongado de hormônios progestagênios isolados e em mulheres submetidas à quimioterapia.

Mas, apesar de comum, essa condição ainda é pouco discutida com profissionais de saúde, principalmente devido ao desconhecimento, tabu e desconforto em falar sobre o tema.

Mulheres em idade mais avançada também acreditam que o ressecamento vaginal faz parte do processo de envelhecimento e devem conviver com ele. Na fase pós-menopausa, até 47% das mulheres sofrem com os sintomas da atrofia vaginal, afinamento da camada de células que reveste internamente a vagina, sendo o ressecamento vaginal e a dor durante o sexo os principais incômodos.

16-Dennerstein L, Dudley EC, Hoper JL, Guthrie JR, Burger HG. A prospective population-based study of menopausal symptoms. Obstet Gynecol.2000;96(3):351-8.


Principais sintomas

Os principais sintomas causados pelo ressecamento vaginal são:

  • Dor e desconforto durante e após as relações sexuais;
  • Coceira;
  • Queimação ou ardor;
  • Infecção vaginal recorrente.


Durante a menopausa

No climatério e com a chegada da menopausa, o ressecamento vaginal está diretamente relacionado às alterações hormonais que caracterizam esta fase. Os ovários passam a produzir cada vez menos estrogênio, tornando a parede vaginal mais fina, mais seca e menos elástica.

Mas também pode ocorrer durante a perimenopausa – período de transição entre o final dos ciclos menstruais e o primeiro ano de pós-menopausa, já que também ocorre queda dos níveis hormonais, o que contribui para os sintomas.


Alternativas de cuidados

Nos casos de atrofia vaginal e baixa lubrificação, além do tratamento hormonal com estrogênio tópico vaginal, outras alternativas são os hidratantes íntimos não-hormonais, que ajudam a manter a umidade vaginal nas células da região da íntima. Esse produto restabelece a umidade local e, consequentemente, o alívio da secura vaginal. É importante lembrar que existe diferença entre os hidratantes vaginais e os lubrificantes, e que os produtos são utilizados para finalidades distintas. Veja a seguir:


Hidratante vaginal

Os hidratantes vaginais devem ser utilizados de forma regular e contínua – de duas a três vezes por semana – e possuem efeito a longo prazo. Esses hidratantes, na forma de gel, não são hormonais e possuem alguma substância hidratante, que pode ser, por exemplo, o ácido hialurônico, substância natural com boa aderência à mucosa vaginal, que facilita a retenção de líquido nos tecidos, melhorando a hidratação vaginal e aliviando o ressecamento e desconforto local.

Com o objetivo de melhorar a saúde geral da vagina, o hidratante ajuda a trazer mais conforto para a mulher e seu uso não tem relação com o ato sexual.

Outro benefício dos produtos hidratantes é a ausência de parabeno na formulação, conservante que pode causar alergia, irritação e desequilíbrio do pH vaginal. Outra vantagem é verificar na formulação do produto se ele é livre de derivados do petróleo e assim, não danifica preservativos.

Sem contraindicações, o hidratante vaginal deve ser colocado na vagina, com o auxílio de um aplicador, de preferência na hora de dormir, para o conforto da mulher.

Pesquisa clínica com o uso a cada três dias por um período de 30 dias em mulheres na pós-menopausa mostrou redução de 57% até 88%* dos sintomas de atrofia vaginal: ressecamento, ardor, prurido (coceira) e dispareunia (dor à relação sexual).

*Chen J et al. Evaluation of efficacy and safety of hyaluronic acid vaginal gel to ease vaginal dryness: a multicenter, randomized, controlled, open-label, parallel-group, clinical trial. J Sex Med 2013, Jun 10(6):1575:84.


Lubrificante

São normalmente usados no ato sexual para proporcionar alívio temporário e imediato do desconforto vaginal. Não têm efeitos terapêuticos de longo prazo e não reduzem o ressecamento vaginal, e podem ser à base de água, óleo ou silicone. Os lubrificantes à base de água têm efeito imediato e secam rapidamente. Os produzidos a base de óleos podem causar irritação vaginal e danificar os preservativos, por reagir com o látex.

É importante lembrar que o ressecamento vaginal tem solução, mas antes de fazer o uso de qualquer produto é imprescindível procurar a ajuda de um ginecologista e seguir as orientações médicas.


FONTES

MENDES, Tatyane. Entenda as diferenças entre o lubrificante e o hidratante vaginal. Disponível em: https://www.metropoles.com/vida-e-estilo/bem-estar/entenda-as-diferencas-entre-o-lubrificante-e-o-hidratante-vaginal [Acessado em 14 Nov 2019]

Hidratante vaginal e lubrificante: qual a diferença? Disponível em: http://50tonsderosa.com.br/hidratante-vaginal-e-lubrificante-qual-a-diferenca/ [Acessado em 14 Nov 2019]

Conheça as diferenças entre lubrificante e hidratante vaginal e saiba como cuidar da secura na região íntima. Disponível em: https://www.folhavitoria.com.br/saude/noticia/09/2018/conheca-as-diferencas-entre-lubrificante-e-hidratante-vaginal-e-saiba-como-cuidar-da-secura-na-regiao-intima [Acessado em 14 Nov 2019]

Destinado ao público em geral

Janeiro de 2020

BRZ2123216

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