Orgasmo feminino: mitos e verdades

Falar abertamente sobre sexo ainda é considerado tabu por muitas mulheres. É muito importante, porém, conhecer o próprio corpo, as suas limitações e particularidades, para conseguir levar uma vida sexual mais saudável e ativa com prazer.

Um dos temas mais polêmicos quando o assunto é sexo e que ainda é permeado por muitas dúvidas e mitos é o orgasmo feminino, o ápice do prazer, que pode acontecer durante a relação sexual ou não.


Inibição sexual


Muitas mulheres não conseguem atingir o orgasmo e acreditam que o problema esteja no seu corpo. A falta de conhecimento e as informações incorretas acabam levando à inibição sexual, que limitam a excitação.

A maioria dos casos de distúrbios sexuais é de origem psicológica, poucas mulheres têm problemas físicos, como alterações hormonais ou doenças. Para começar, nem toda mulher consegue reconhecer um orgasmo.

Diferentemente do que é mostrado em filmes, livros e novelas, o prazer sexual é um momento único, que pode variar de intensidade, duração e origem do estímulo, nem sempre limitado aos órgãos genitais.
Conheça abaixo alguns mitos e verdades sobre o assunto:


Pode haver vários tipos de orgasmo


Verdade. Os mais comuns são o clitoriano e o vaginal, mas a mulher pode atingir um orgasmo anal, através da estimulação dos mamilos e até de outras regiões mais sensíveis, como a uretra.


Mulheres não têm orgasmos múltiplos


Mentira. Elas podem, sim, ter diversos orgasmos repetidamente, de forma consecutiva, ou seja, podem continuar “transando” mesmo após um orgasmo e continuar tendo outros.


Para as mulheres, é mais difícil (ou demorado) ter um orgasmo
Verdade. Entre diversas outras questões, como o nervosismo, a falta de diálogo, experiências passadas e até dor, o motivo biológico para isso é que o órgão sexual feminino precisa receber cerca de 200ml de sangue para ficar em seu auge de excitação, enquanto o pênis só precisa de 10ml.


Ejaculação feminina não existe


Mentira. Apesar de ser mais rara que a masculina, a mulher pode ter ejaculação, que neste caso é um jato de fluídos através da vagina no ápice da satisfação sexual.


Com o tempo, os orgasmos diminuem


Mentira. À medida com que envelhecem, as mulheres ainda podem ficar – e muito – excitadas, já que o clitóris não envelhece ou “deixa de funcionar” da mesma maneira com o tempo.

A idade só contribui para que a mulher tenha ainda mais orgasmos, já que quando mais maduras, elas conhecem melhor o corpo. O ressecamento vaginal, no entanto, é uma das causas que pode atrapalhar o orgasmo na mulher mais velha, e deve ser combatido com hidratantes.


Metade das brasileiras nunca teve um orgasmo


Verdade. De acordo com o Projeto de Sexualidade da USP (Prosex), mais de 55% das mulheres têm dificuldade para atingir o orgasmo. Entre elas, 67% sentem dificuldade para se excitarem.


E por que isso acontece?


Paciência, na maior parte dos casos, é fundamental para se chegar ao orgasmo. Fisiologicamente, as mulheres demoram mais do que os homens para atingir o ápice, mas, como já foi dito, alguns fatores influenciam na hora do ato sexual e devem ser mudados.


Cansaço, estresse, ansiedade, traumas do passado, falta de concentração, de intimidade, de diálogo e de desejo sexual, auto cobrança, dor ou má-lubrificação, estimulação escassa e ineficaz são alguns dos problemas que podem afetar a hora da “transa” e, consequentemente, causar uma inibição sexual.


Algumas causas físicas também podem contribuir para a falta de excitação sexual e podem ser desde reações medicamentosas ou variações hormonais até alguma doença, como diabetes. Nestes casos, procure o seu médico para saber o que deve ser feito.


Autoconhecimento


Outro fator que contribui para atingir o ápice do prazer sexual é a masturbação, ainda levada como tabu por grande parte da sociedade. Seja sozinha, conhecendo o próprio corpo e as zonas que mais causam prazer, seja com o parceiro, é importante se tocar e saber o que agrada mais na hora H.


É preciso compreender que as relações sexuais vão muito além da penetração, que é o que normalmente leva ao orgasmo masculino. Toda a prévia, clima romântico, preliminares e carícias, são importantes para que elas sintam prazer de forma satisfatória com mais facilidade.


Conversar abertamente com o parceiro, falando o que deseja, aproveitar as preliminares e se masturbar, esquecer os problemas e focar no momento podem ajudar na hora de sentir mais prazer.


FONTE


OLIVEIRA, Sérgio Ricardo Campanella de and ABDO, Carmita Helena Najjar. The Sexuality Project (Pro-Sex) of the Institute of Psychiatry of the HCFMUSP: first year of activities. Sao Paulo Med. J. [online]. 1996, vol.114, n.4, pp.1208-1215. ISSN 1516-3180. http://dx.doi.org/10.1590/S1516-31801996000400003.

Material destinado ao público em geral. Setembro/2019
BRWH190854

confira também